“Nós vamos atravessar o deserto.
Ailton krenak, indígena, pensador, filósofo, escritor
Tem que atravessar o deserto, uai!
Toda vez que você encontrar um deserto você vai sair correndo?
Quando aparecer um deserto, atravessa ele!”
(primeiro membro indígena da Academia Brasileira de Letras – ABL)
e ativista ambiental ▪︎ [01]
A propósito e a passarinho
Há tempos, desinformações venciam e convenciam, desacreditando as nossas importantes mensagens. Entretanto, vale à pena ainda estarmos aqui pra contar história e…
…#pratodomundover que…
“A vida presta!”
Viralizados nas redes sociais e na na sociedade brasileira,
estes foram os dizeres de Fernanda Torres.
Celebrando as indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar — 2024/2025 —
do filme nacional “Ainda Estou Aqui” (baseado nos fatos reais,
cujo registro se encontra num livro sob mesmo título),
com tal frase curta, porém expressiva,
a atriz destacou a resistência da democracia
e da arte no nosso desafiado país▪︎ [02]
Embarque no nosso carrossel:

Tela 1 do carrossel: na colagem de uma citação, leia-se: “Se graves sequelas da doença incurável e recém-diagnosticada que nasceu comigo pedem desapego, por exemplo, resgato a menina que fui e viro ‘a passarinho'”. Em seguida, foto do livro “Minha casa”, escrito por Marcela quando menina e ilustrado com a ajuda de sua mãe, Christina. A tarefa escolar tem o desenho de pássaros na capa. Ao fundo, a primeira das onze telas exibe foto de Marcela, aos 6 anos de idade. A menina está diante de Christina e ambas sorriem.

Tela 2: no centro, colagem em formato de livro fechado. Na capa do objeto, leia-se: “A passarinho. Boas-vindas ao nosso Núcleo Coletivo Literário!”. Ao fundo, mosaico de fotos dos pássaros que representam o Coletivo e cada uma das componentes que nele atuam.

Tela 3: no centro, balão de fala esverdeado sob colagem alaranjada. Nesta, leia-se: “Das cuidadoras esquecidas às protagonistas, via Núcleo Coletivo Literário Hoje a passarinho, percebemos inseguranças que potencializam vulnerabilidades.” Fundo branco.

Tela 4: balão de fala violeta central, sob colagem amarelada de texto. Neste, leia-se: “Como folhear os livros de vidas que, no exercício contínuo do cuidado, ainda assim sofrem isolamentos afetivos? Contada, nossa história ilumina inovadoras reinvenções”. Fundo branco.

Tela 5: balão de fala alaranjado central, sob colagem esverdeada de texto. Neste, leia-se: “Destacamos cada ‘dor e delícia’ [03] daquela criança, adolescente ou senhora de quem todo mundo até sabe da existência, mas sobre quem se conhece pouco.” Fundo branco.

Tela 6: colagem caixa de texto branca, centralizada na parte de cima. Nela, leia-se: “Avó e ex-professora, idosa e PcD, poetartesã e poetarticuladora, mãe e filha… Na prática, somos aldeias dentro e a partir de mulheres que improvisam (re)coletivizações provisórias, a se desdobrarem e a incorporarem diversos papéis.” Fundo: foto (crédito: @vicenteeutropio_se_mear), na qual Marcela e Christina, com uma mesa da Casa Socialista entre elas, apresentam-se no Assanharau.

Tela 7: no centro, balão de fala esverdeado sob colagem alaranjada. Nesta, leia-se: “Se graves sequelas da doença incurável e recém-diagnosticada que nasceu comigo pedem desapego, por exemplo, resgato a menina que fui e viro ‘a passarinho’.” Fundo branco.

Tela 8: balão de fala violeta central, sob colagem amarelada de texto. Neste, leia-se: “De que outro modo eu me conectaria com o meu corpo em apuros e em transformação, sem me desvincular do meio-ambiente e de comunidades igualmente se transformando?”. Fundo branco.

Tela 9: balão de fala alaranjado central, sob colagem esverdeada de texto. Neste, leia-se: “Indivíduos que nunca reconhecem o amplo alcance do (auto)cuidar e do cuidar, também não reparam danos, não vivem lutos pelo irreparável e não previnem violências que devastam conexões.” Fundo branco.

Tela 10: colagem caixa de texto branca, dentro de uma moldura que imita o layout de uma tela de celular. Nela, leia-se: “Pelas janelas analógicas e digitais dos quartos de repouso, pássaros e microrredes nos incluem numa rede maior. Ler, escutar e escrever, enquanto se destrincham sabedorias tradicionais, populares e científicas? Sim, com palavras, gestos e experiment(ações), tateamos os históricos caminhos dos corpos em apuros, sobre-viventes e sobrevoantes. Reinventando a roda e reunindo prosas solidárias, incomum e poeticamente articuladas em forma de tecnologia social da memória, libertam-se curadorias e travessias de gaiolas inventadas.” | Por Marcela, a passarinho.” Fundo: foto (fonte: Pixabay) da fachada de um edifício repleta de janelas azuis e floreiras.

Tela 11: Leia-se: “Com amor, para infâncias de 0 a mais de 120 anos”. Na parte de baixo, símbolos de curtir, comentar, salvar e compartilhar post. Fundo: foto (créditos: Marcela). Através de janela aberta, grades e beirada de dentro com vasos de planta verdes. De longe, paisagem da rua e de dentro, chinelos e palmilhas com estampa de beija-flores secam ao vento.
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Referências
[01] Citação extraída de:
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
[02] Filme e livro mencionados:
SALLES, W. Ainda estou aqui [filme]. Direção de Walter Salles. Produção: Gullane Filmes; Videofilmes. Brasil: Globo Filmes, 2024.
PAIVA, M. R. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.
[03] Do verso “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, muito conhecido por meio do sucesso musical Dom de Iludir, composto e interpretado pelo compositor e cantor baiano Caetano Veloso. O lançamento original da canção aconteceu na voz de Maria Creuza, em 1977.
