
Créditos: ▪︎ [01]
Uma perigosa “única história”
“A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. […] há outras histórias que não são sobre catástrofes. E é muito importante, é igualmente importante, falar sobre elas. Eu sempre achei que era impossível relacionar-me adequadamente com um lugar ou uma pessoa sem relacionar-me com todas as histórias daquele lugar ou pessoa. A consequência de uma única história é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade.”
— Por Chimamanda Ngozi Adichie, contadora de histórias,
feminista e escritora nigeriana,
em O perigo de uma única história▪︎ [02]
Entendedoras e entendedores, a propósito, entenderão os motivos da minha colega de ofício nos alertar a respeito do “perigo de uma única história”.
Fecham-se as aspas e, não por acaso, Chimamanda expõe o imenso poder das histórias. Narradora de mão cheia, ela nos lembra que, dependendo de como se narram vividos alheios e pessoais:
- imagens podem ser superexpostas, distorcidas ou confidencialidades podem ser resguardadas;
- laços podem ser desfeitos ou conexões podem ser recompostas;
- exclusões podem ser incitadas ou inclusões podem ser expandidas.
Ao longo das épocas, para se disfarçarem de “únicas histórias”, desinformações que se somam com preconceitos têm rotulado, por exemplo, sobreviventes de experiências extremas e traumáticas. Isto reforça estereótipos, preconceitos, estigmatiza seres e expropria direitos.
Um dos artefatos do EducaMídia, programa criado pelo Instituto Palavraberta “para capacitar professores e engajar a sociedade no processo de educação midiática dos jovens”, dedica linhas de um glossário para explicar o significado do termo desinformação:
“Conteúdo falso, impreciso, tendencioso, distorcido ou fora de contexto, criado de forma intencional ou não.” — Glossário EducaMídia [03]
A “única história” que estereotipa Chimamanda? Nascida na classe média da Nigéria, ela nunca vivenciou fome ou quaisquer privações materiais análogas.
Preconceituosamente, muitas pessoas não-africanas nem supõem que existem Chimamandas na África: continente vasto e complexo, em vez de um país pequenino e miserável (fantasiado pela subalternização colonial). [04]
A “única história” que estereotipa Marcela? Um pedacinho de uma das experiment(ações) do Núcleo responde:
“Oi pessoal! Toda vez que alguém me fala sobre os pedidos de socorro das meninas e mulheres em apuros sendo logo interpretados como transtornos psiquiátricos que nunca existiram, eu me preocupo. Preciso que pessoas aprendam a não rotular como ‘delírios’, ‘psicoses’, ‘invenções’ etc., relatos de complexas queixas de saúde física e de violências. Ambos os fenômenos ocorreram inclusive comigo, dificultando o acesso ao diagnóstico do Transtorno do Espectro de Hipermobilidade e agravando os danos que hoje prejudicam tanto o meu corpo como as minhas práticas profissionais, esportivas e recreativas. De nascença e ainda sem cura, a hipermobilidade tende a afetar tecidos, ou seja, músculos, ligamentos, vasos, pele, ossos, tendões e afins, impactando na mobilidade, dentre outras complicações. Reconhecimento e tratamento precoces podem prevenir impactos devastadores na saúde e na trajetória de muita gente. Embora já exista o Projeto de Lei que institui a Política Estadual de Atenção Integral à saúde Pessoa com Síndrome Ehlers-Danlos e/ou com Transtorno do Espectro de Hipermobilidade em Minas Gerais, lamentavelmente, eu alcancei um estágio preocupante, não cabendo mais espera.” #descriçãodaimagem Shorts do YouTube, com corte da fala legendada de Marcela. Ela usa óculos e colar cervical. Fundo preto▪︎ [05]
Continua>>
“Bique” adiante, no botão PRÓXIMA (à sua direita), e abra a página Agradecimentos:
Referências/links
[01] Imagem de post que tem história. Leia a legenda audiodescrita, “bicando” no link da próxima linha:
https://coletivohojeapassarinho.com.br/mais-uma/
[02] ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. Tradução de Julia Romeu. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 64 p.
Que tal escutar o audiolivro “O perigo de uma única história”, em português e gratuitamente? Só “bique” em:
https://youtu.be/HtL77FsKXH0?si=oXbVurWsRVRgTO6H
[03] Além da palavra “desinformação”, o Glossário EducaMídia disponibiliza outros verbetes na área de Educação Midiática importantes em:
https://educamidia.org.br/glossario
[04] “Bique” no link adiante e assista a palestra (legendada em português) de Chimamanda Ngozi no TedX. Ela fala justamente a respeito do “perigo de uma única história”:
https://youtu.be/CG6JGHR-xp8?si=6NLUk-BS40ZXlzsJ
[05] Memória do vídeo de campanha (na íntegra) para a vaquinha de tratamento da Marcela (Post agendado para publicação futura. Faça a sua assinatura, pois é grátis e garante avisos de novas postagens!):
