#descriçãodaimagem no #textoalternativo. Na capa do carrossel de Instagram, leia-se: “O que o caso Orelha, os Arquivos de Epstein e o Pacto Nacional Contra o Feminicídio têm em comum? Assina-se @dfuriousfemme▪︎ [01]
Enfim, nós! Arremate da correspondência
“Nas religiões de matriz africana, poucas divindades encapsulam tão profundamente os conceitos de movimento, dualidade e ciclo contínuo como Òṣùmàrè (Oxumarê). Representado pela mítica serpente arco-íris, ele é o orixá que simboliza a união entre o céu (o Òrun) e a terra (o Àiyé). […] Na cosmologia africana, diz-se que Òṣùmàrè é a serpente que envolve o planeta, impedindo que ele se desagregue, garantindo a coesão do mundo. Ele também rege um ciclo vital para a sobrevivência: o ciclo das águas. Como uma grande serpente celestial, Òṣùmàrè recolhe a água que cai na terra e a leva de volta aos céus em forma de nuvens.”
– Em “Òṣùmàrè: O Orixá da Renovação e o Mistério da Serpente Arco-Íris”, por Tom Oloorê: Bàbálórìṣà, youtuber, programador e produtor de conteúdos sobre História, Filosofia e Cultura Afro-brasileira▪︎ [02]
Das florestas, roças, periferias urbanas e dos corpos não normativos sobreviventes e desinteressantes para os senhores da guerra, oportunas vozes vibram contrapontos, iluminando fraturas.
A carregarem intersecções, sob sequenciais injustiças, numerosos são os seres:
violados nos consentimentos;
cujos corpos são rotineiramente invadidos;
desambientados, portanto, nos próprios, corpos, territórios e corpos-territórios.
“A devastação do seu corpo se afinou sim, mas foi com a devastação da camada de ozônio. Tucano, bem-te-vi no ipê rosa; bem te vi hoje na janela do segundo andar: quatro seres a se afetarem, enquanto sobrevivem a esse calorão descomunal — pássaros, árvore, mulher… vidas desambientadas que se aproximam, enquanto a grande maioria se afasta. Contrastes que assim brilham são necessários, quiçá inadiáveis! Jamais estancaremos tais águas limpas. Dos lençois às sementes, tão sábias elas fluem. Jamais estancaremos tais águas limpas. Confiantes, elas simplesmente sentem os rumos, onde não só podem como devem transbordar.”
– Citação de Marcela, por Codinome Andorinha, em “Improvisos anti-preciosismos: um destutorial de escritarecriativa” [03]▪︎
Fonte: Pixabay. Contém texto alternativo.
Se nós nos percebemos inseguras, machucadas, discriminadas, negligenciadas, excluídas e banidas do que supúnhamos como nossas redes imediatas de apoio; rumo a quais direções sairemos das gaiolas químicas, físicas, ideológicas e culturais, que subtraíram décadas e décadas das nossas liberdades?
Gosto de repetir que o chão onde caímos como espécie permanece como o chão onde nos levantaremos e, de modo transformado, continuaremos a caminhar.
Agradecimentos
às parcerias que abraçam os desconfortáveis e indispensáveis reconhecimentos das violências, valorizando a importância dos lutos pelo irreparável, das reparações e das prevenções disponíveis;
às companheiras/pares, por tamanha solidariedade!
Em respeitosa memória das “Auroras”, que não puderam raiar e se levantar, expressando-se num horizonte justo,cuidadoso, amoroso; com os respeitos e as ternuras,
Entre 2016 e 2026, isto é, do começo da organização dos registros de Quarto de repouso — Diário de uma (des)loucada até então, mais de 13.000 brasileiras foram mortas por feminicídio. De 2000 para cá, somam-se 352.700 processos de estupro de vulnerável, 70% ocorridos dentro de casa, 96% dos autores sendo homens e a maioria das vítimas sendo meninas. 97% dos casos não chegaram a julgamento. As entrelinhas das fontes CNJ 2026 e Anuário Brasileiro de Segurança Pública alertam para a gravíssima manutenção das condutas de descrédito relativas às denúncias, cenário propício para iniquidades e subnotificações. Repudiamos cada ato e omissão que tortura e aniquila parte expressiva da população feminina! Afim de levantar vozes sobre-viventes e sobrevoantes, a nossa obra segue aberta e defensora também dos bichos, plantas, enfim, das paisagens que nos fizeram/fazem visitas ou companhia, pelas janelas dos quartos onde repousamos.
Escrito por: Marcela, a passarinho Postado pela: Comissão Editorial Codinome Andorinha (Maria do Socorro, Christina, Virginia, Carolina, Cecília e Olga) Nós sete somos:
[01] Postagem futura do conteúdo audiodescrito. Junto com a tela inicial do carrossel que ilustra a página, menções de fontes que compõem o P.S. (CNJ 2026/Anuário Brasileiro de Segurança Pública).
[02] Citação de artigo escrito por Tom Oloorê e publicada no Blog do website “Historiando Axé” – “Òṣùmàrè: O Orixá da Renovação e o Mistério da Serpente Arco-Íris”. Acesse e leia o conteúdo na íntegra: