
Poema completo
As ‘maldições’ que me arranharam?
Que não continuem de mim!
Afastei-me das curiosidades agudas:
elas me espetavam à toa,
causando feridas por nada
Eu de repente abro
a minha sombrinha escarlate,
e como quem abre asas,
voo na companhia de cinco gaivotas
Eu simplesmente abro mão
de todas as respostas,
pelas quais cada boca saliva:
as respostas que amadureçam
até ficarem suculentas e doces,
negras jabuticabas, desde o tronco,
bordando o pé carregadinho
das nossas vidas vermelhas,
verdes, azuis, amarelas….
Enfim, multicoloridas.
Poema escrito e postado por Marcela, no ano de 2021.
Era o último dia e domingo de fevereiro: ao som dos passarinhos lá fora, fazendo versos no isolamento social para, dentro dos meus afetos, revisitar a amada Vó Cida e as seguintes memórias de Hannah Arendt:
“Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história.”
